segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A Pílula do Sentir






Rita Daniela Bruni Nunes



Sinto demais. Sinto quando perco alguém, mas não sinto como outros: acho que sinto mais. Dói tanto que chego a ficar sem ar. Queria que existisse uma pílula, a pílula do “não sentir”.

Seria mais ou menos assim: quando um namorado brigasse comigo, imediatamente eu tomaria uma pílula e seria como se nada tivesse ocorrido! É claro que isso eliminaria também os crescimentos gerados pela dor do porquê estaria sofrendo. Poderia achar que eu sempre estaria certa e que os outros estariam apenas me injustiçando (também conhecido como ‘paranóia’); poderia pensar que qualquer sentir já seria demais e, quanto mais sentir, mais pílulas para aplacar o turbilhão dos sentidos.

Ainda assim, os ganhos seriam especiais: sofrimentos reduzidos ou retirados; o medo de relacionar-me profundamente com as pessoas sumiria, afinal, se doesse, ou melhor, quando doesse, pegaríamos a pilulazinha e tchannn!

Infelizmente ou não, ela ainda não existe. Ou será que existe e nem percebemos? Ela estaria presente quando as relações líquidas dos tempos atuais acabam e nem acabam conosco, já que estamos cada vez mais “preparados”, ou frios, impacientes, desiludidos e cansados, para enfrentarmos as tais situações de discussão que poderiam nos gerar o crescimento e o amadurecimento inter-relacional.

Pílulas do futuro ou só nossa imaginação, sentir ou não sentir; talvez ainda tenhamos essa escolha, e suas conseqüências.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O SONHO MADONNA- preparando-me para o show!



Como sou fã de carteirinha da Nonni desde meus 8 anos, estou empolgadíssima counting the days para o grande evento. Terei a oportunidade de ver nossa diva pela segunda vez. A primeira foi em Londres, a segunda será no Rio, se Deus quiser! Tenho orgulho de ter tido such an idol como Madonna em minha adolescência: pensei nos preconceitos, nos direitos dos homossexuais, na minha sexualidade como um todo, na dança, na diversão, na liberdade de expressão, e nos tabus... ah, os tabus! Aprendi a falar inglês na esperança de falar com ela um dia(hahaha!)... os sonhos da gente quando adolescentes eram bem mais enérgicos!!! ;)
Mas agora, ela vindo, terei algumas horas de REVIVAL de tudo isso que eu senti, e ainda sinto, quando posso escapar da adultez do dia-a-dia, do dia após dia... emoções à parte? Não! Emoções ABAIXO:


** Stick & Sweet Tour **

Bloco Gangsta Pimp / Art Deco
Intro/Candy Shop
Beat Goes On
Human Nature
Vogue

Bloco 80's / Old School
Video Interlude - Die Another Day
Into The Groove
Heartbeat
Borderline
She's Not Me
Music

Bloco Gypsy
Video Interlude - Rain / Here Comes The Rain Again
Devil Wouldn't Recognize You
Spanish Lesson
Miles Away
La Isla Bonita/Lela Pala Tute
Doli Doli (Live interlude - Romanian folk song)
You Must Love Me

Bloco Futuristic / Rave
Video Interlude - Get Stupid (About saving the planet)
4 Minutes
Like A Prayer
Ray Of Light
Hung Up
Give It To Me (Finale)

E estarei em êxtase novamente...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

SOBRE O APRENDER A OLHAR


A arte de ser feliz (da maravilhosa Cecília Meireles)


"Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Aprender a olhar... tarefinha difícil, mas muito gratificante. Sou já grata por tentar dessa arte! E descobrir quais belezas desejo ao meu jardim... são tantas em tantos! Já sei: vou pelos cheiros...o cheiro que cheiro e o cheiro que sinto.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Wilson speaks: O Náufrago e a Psicanálise (idéias para um ensaio)




NÁUFRAGO ("Cast Away"), de Robert Zemeckis (2000), conta a história de um inspetor da FedEx, Chuck Noland, cuja vida é sempre ocupada demais para lidar com os assuntos familiares e sentimentais. Após um acidente aéreo, acaba isolado em uma ilha, onde é obrigado a sobreviver sem nenhuma das "regalias" que existem na vida contemporânea, tendo apenas como companhia uma foto da sua mulher e uma bola de vôlei, a qual apelida de Wilson. Noland é obrigado a sobreviver e pensar em algum modo de sair da ilha, construindo assim uma jangada para poder ir para o alto mar, com a esperança de encontrar algum território. (ver Wikipédia)
O personagem de Tom Hanks fica preso nessa ilha por quatro anos e aprende que precisa lutar para sobreviver tanto fisicamente quanto emocionalmente. Ele agüenta praticar a arte que é o "não-enlouquecer", inclusive quando conversa com o "amigo e companheiro" Wilson, recusando-se a ficar "sozinho-sozinho" em muitos sentidos. Essa criação do amigo imaginário mostra o nosso maior temor de ficarmos sós. As crianças costumam fazer isso algumas vezes, pois a fantasia faz parte da vida de todo ser humano. É o que nos possibilita suportar a realidade e, no caso do personagem, ele precisou retomar isso. Assim como para Chuck naquele momento dramático e trágico, as crianças precisam da imaginação e da criatividade para lidar com uma série de situações internas e externas.
O filme é uma obra-prima. Quem não curtiu deve ter visto com pressa ou não ter sensibilidade e paciência para entendê-lo. Eu assisti muitas vezes para TENTAR entender tudo que eu poderia entender, pois ele é sutil em diversas partes. O final é sutil as well e adorei o "Who knows what the tide could bring?" ... a vida é assim mesmo e, na real, não controlamos nada! Tentamos muito, até para não falarmos com bolas por aí, mas o falar com a bola Wilson, eu vejo como ele falando com suas próprias projeções e esperanças, era o alter-ego dele. Era um parceiro, para que ele sobrevivesse sem perder a sanidade e o resto do seu "ser-social" e nem ao seu ego-nosso mediador. Sem o Wilson talvez ele não o teria conseguido... (manter a sanidade e a vontade de voltar a ser um ser civilizado, bem como forças para lutar e conseguir).
Que a vida possa oferecer a todos nós marés ferozes que nos ensinem e marés mansas e divertidas que nos tranqüilizem trazendo alegrias para nossos dias. E quem disse que era fácil?
Rita Nunes - 10/09/2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A morte dela (Velório)


Aquela morreu.

"Meus sentimentos", dizem todos.
(Será que realmente a amavam?)
Quem sou eu neste instante?

Um mar ainda tranqüilo, pronto para a explosão
O maremoto que precisa liberar sua força
Num enérgico espetáculo da natureza
É como o equilíbrio retornará.

E assim estou eu.
À próxima etapa e,
à próxima eu, bem-vinda novata
(a casa é sua)

Sigo o cheiro do caminho...

1/6/2008 - Aeroporto de Guarulhos, SP Destino: London, UK

sábado, 17 de maio de 2008

VIVER DÓI



VIVER DÓI (Resposta ao Drummond) Rita Nunes - Verão 2004


Dói
me ter
Saudade de ti
Sorridos sortidos
Anos vividos
Curta felicidade!
Custa não mais querer
Os mesmos sonhos bonitos,
os corpos unidos.

O que quero afinal?
O amor inatingível
Aventuras mil?
E o que mais, pergunto-me...
Caro Drummond,
Você não tem razão
(Existirá inabalável paixão?)
Viver dói.

-------------(E agora a versão que me inspirou, que Sávio me leu ao telefone na ocasião do meu vigésimo quarto birthday...)-----------------------------------


ORIGINAL DO DRUMMMOND:

VIVER NÃO DÓI



Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade..

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

VENTO NOS PÉS


Rita Nunes


Vento nos pés é quase igual a amor correspondido. Aquela sensação única de que nada poderá ser mais prezeroso! Se não sabes do que estou falando, experimente! Go ahead!

Descobri desta arte assim, sem muito me dar conta de que sempre que repetia esse ritual do ventinho aos pés, algo se enchia de alívio dentro de mim. É quase como quando temos o coração repleto de paixão- quando temos sorte (sorte?!) de sermos também amados. Um gozo sexual. Lembre-se de não confundir gozo sexual com gozo genital e não insistam que sou pervertida!

Falo em sexo e não deixarei de ser uma romântica. Explico-me: faz parte da minha essência, inclusive, naturalmente, edipicamente speaking. Resolvi que deveria lidar com minhas paixões e estou aqui na tentativa de sublimá-las, tornando-me uma estudiosa-curiosa do gênero e sexualidade humana, movida por meu desejo de prazer: o colo do Pai, o beijo da Mãe, o afago do Homem.

Descobrir a si mesmos traz-nos um dever e um prazer. O dever pode nos dar o lado das lições e ouso citar rapidamente a clássica-máxima de Sócrates, "Conhece-te a ti mesmo". E o prazer? Aqui bastará descrever dois representantes do Meu prazer: o Amor pelos outros e o Amor por mim mesma. E neste último encontra-se a delícia sublime do vento nos pés...