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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

SOBRE O APRENDER A OLHAR


A arte de ser feliz (da maravilhosa Cecília Meireles)


"Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Aprender a olhar... tarefinha difícil, mas muito gratificante. Sou já grata por tentar dessa arte! E descobrir quais belezas desejo ao meu jardim... são tantas em tantos! Já sei: vou pelos cheiros...o cheiro que cheiro e o cheiro que sinto.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

VENTO NOS PÉS


Rita Nunes


Vento nos pés é quase igual a amor correspondido. Aquela sensação única de que nada poderá ser mais prezeroso! Se não sabes do que estou falando, experimente! Go ahead!

Descobri desta arte assim, sem muito me dar conta de que sempre que repetia esse ritual do ventinho aos pés, algo se enchia de alívio dentro de mim. É quase como quando temos o coração repleto de paixão- quando temos sorte (sorte?!) de sermos também amados. Um gozo sexual. Lembre-se de não confundir gozo sexual com gozo genital e não insistam que sou pervertida!

Falo em sexo e não deixarei de ser uma romântica. Explico-me: faz parte da minha essência, inclusive, naturalmente, edipicamente speaking. Resolvi que deveria lidar com minhas paixões e estou aqui na tentativa de sublimá-las, tornando-me uma estudiosa-curiosa do gênero e sexualidade humana, movida por meu desejo de prazer: o colo do Pai, o beijo da Mãe, o afago do Homem.

Descobrir a si mesmos traz-nos um dever e um prazer. O dever pode nos dar o lado das lições e ouso citar rapidamente a clássica-máxima de Sócrates, "Conhece-te a ti mesmo". E o prazer? Aqui bastará descrever dois representantes do Meu prazer: o Amor pelos outros e o Amor por mim mesma. E neste último encontra-se a delícia sublime do vento nos pés...